quarta-feira, 29 de abril de 2009



A emergência na educação
Depois que participamos da Atividade “Pedagogia do A-Con-Tecer” com a professora Inez Carvalho no Programa de Formação de Professores de Irecê-Ba começamos a pensar cada vez sobre o real significado de “Emergência”.
Passamos a querer diminuir as nossas dificuldades na compreensão do seu sentido e a observar muitas coisas com o pensamento de que talvez tivesse alguma relação com os sistemas emergentes.
Ao analisar alguns livros didáticos da Coleção Curumim de história, de Ernesta Zamboni e Sônia Castellar passamos a prestar bastante atenção no “Manual do Professor” no livro da 4ª série e confrontamos-nos com o seguinte:
“Para que o aluno ultrapasse seu nível de desenvolvimento e faça as representações já existentes emergirem, é necessário que ele seja mobilizado partindo-se de situações-problema relacionados com a sua realidade.”
O livro apresenta uma sequência de atividades que orienta o professor a trabalhar a noção de “passado” que deve ser feita passo a passo, por meio das vivências da criança, das memórias familiares, das evidências encontradas em seu meio, no lugar em que vive, tais como: fotografias, objetos familiares e pessoais, cartões-postais, prédios, entre outros.
Segundo o mesmo livro a construção do passado se dá no momento em que a criança tem a percepção de seu próprio eu e inicia a construção da sua identidade e do lugar em que vive.
Analisamos também alguns momentos do recreio entre os professores em que o período em si é programado, mas as situações que acontecem durante o recreio não são planejadas. As discussões se afloram acerca dos mais variados assuntos. Até socorros emergenciais aos alunos nas mais variadas situações.
Outro fato interessante é que participamos da atividade “Gestão Democrática” com Carlos Alberto Ferreira Danon e recordamos que ele falou que os movimentos sociais é algo emergente. Outro ponto que foi dito por ele é que “o conflito é fundamental na gestão Democrática. A gestão deve discutir toda a trama de poder que existe”
Entender um fenômeno tão complexo quanto esse é muito difícil. Ao refletirmos sobre o primeiro exemplo citado podemos perceber que a orientação dada ao professor é que ele parta do simples no passo a passo, para o complexo, partindo da realidade em que o aluno vive para a sociedade como um todo.
Porém analisando mais profundamente podemos ver com Steven Jonhson em seu livro “Emergência: A vida integrada de formigas, cérebros cidades e softwares” que esse processo é capaz de adaptar-se e auto-aperfeiçoar-se para manipular alguns problemas de reconhecimento de padrões que não possam ser adequadamente determinados por antecipação. Assim podemos supor que as situações não podem ser planejadas já que também no mesmo livro ele diz que é um sistema Bottom-up (a organização é de baixo para cima) e não no sistema de cima para baixo. Nesse caso podemos afirmar que o exemplo citado entra exatamente no sistema top down?
No exemplo do recreio, há uma auto-organização pois não é dito aos professores sobre o que devem falar ou fazer e não existe também um líder. Cada um faz como pensa sem desreispeitar o direito do outro. A cada dia os desafios são maiores e os conflitos que surgem dentro da escola também crescem cada vez mais. Então, como analisar essa situação pensando no fenômeno da Emergência?
No caso da gestão democrática que teve sua origem a partir dos movimentos sociais entre alunos, professores, pais e membros da sociedade civil na França. O que tem isso a ver com emergencia? Acreditamos que esse sim é um fenômeno que surgiu, veio à tona. Diante de um caos de uma sociedade complexa surge a necessidade de um entrelaçamento, de tecer fios a partir de movimentos simples, de agrupamentos para tentar com os mesmos objetivos, encontrar caminhos para os problemas existentes. O aprendizado sobre os movimentos participativo emerge de baixo para cima, nessa interação acontecem muitas coisas negativas e positivas, muitos conflitos e contradições torna o cenário cada vez mais complexo.
A mudança de uma postura vista como não democrática para a democratização a partir das ações coletivas tece uma trama, mudando os desenhos que emergem situações diversas.
Concluimos pensando sobre o comportamento emergente como uma mistura de ordem e anarquia e, que provavelmente é melhor não pensar no fenômeno da emergência como uma narrativa linear e mais como uma rede interconectada. Pensando na complexidade organizada em fatores que se interelacionam formando um todo.

Alessandra, Lídia e Liriam

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